capa Ainda que criada em 2012, a LaGofra conta com uma bagagem que remonta a 1934, assente num legado de profissionalismo, qualidade e amor pela arte têxtil, que tem vindo a passar de geração em geração. A experiência de anos de dedicação ao setor reflete-se na competência e solidez com que a empresa se movimenta no mercado. Neste momento, quase 100% do que produz segue para países como França, Itália, Alemanha, Reino Unido ou Canadá. A trabalhar com marcas de renome, a LaGofra aposta no saber-fazer da equipa para criar peças com valor acrescentado.
LAGOFRA
  historia

Filipe Prata

Tudo começou em 1934, quando o meu avô integrou um curso para alfaiates, no Porto”, conta Filipe Prata. Os filhos seguiram as pisadas do pai: aprenderam a arte e, regressados da tropa, lançaram-se por contra própria, com negócios já industrializados. “O meu pai estabeleceu-se em 1980 e eu comecei a dar os primeiros passos na empresa em 2011”.
Com vontade de levar o projeto do pai, Emanuel Prata, mais longe, Filipe muniu-se do legado familiar e criou, em 2012, a LaGofra, “com um objetivo muito claro de exportar diretamente 100% da produção”. O caminho pela conquista do mercado internacional foi, na verdade, mais simples do que o empresário esperava, graças a todo o trabalho que o pai havia feito e à equipa que, com o tempo, tinha constituído. “A capacidade de construir com qualidade já estava instalada. O meu pai foi conseguindo reconhecimento pela qualidade que oferecia, por isso, foi só agarrar essa deixa e multiplicá-la”. Neste momento, a empresa exporta quase a totalidade do que produz para mercados como Escandinávia França, Itália, Alemanha, Reino Unido e Canadá, sendo que, depois, muitas das peças são distribuídas para diversas partes do globo. Ainda que grande parte do negócio seja intracomunitário, a LaGofra está já a estudar outros países, como Estados Unidos da América ou Japão.
A carteira de clientes é composta por marcas internacionais de renome e “pequenos estilistas”, que desenvolvem entre mil a duas mil peças por estação. 95% dos modelos produzidos são de senhora e, destes, Filipe estima que metade sejam criados a partir de tecidos muito delicados. Tratam-se de produções que têm como público-alvo um segmento médio-alto, não só pelas matérias-primas utilizadas, como pelos detalhes que apresentam.

SABER-FAZER QUE MARCA A DIFERENÇA

Pela exigência dos mercados em que a empresa atua, todos os passos da produção são verificados e as peças são inspecionadas na íntegra.“Não podemos fazer uma entrega do produto com base em estatísticas”, sublinha o responsável, acrescentando que esta foi “a cultura de qualidade deixada pelo pai” e passada a “uma equipa muito boa”. Atualmente, a LaGofra conta com mais de 70 pessoas.
 
Algumas começaram com Emanuel ainda jovens e levam já 30 anos de uma casa que as formou. Filipe reconhece que, na indústria têxtil, “o tempo é um fator essencial”, mas acredita que “não se pode esperar ter uma boa produção, se não se trabalhar no tempo adequado cada peça”, sobretudo porque os modelos fabricados exigem ainda muito trabalho manual.
“A nossa produção vive essencialmente das mãos das costureiras. Não há maquinaria no mercado que nos resolva essa questão”, adianta. O empresário acrescenta ainda que o aumento do número de encomendas pequenas e a grande variedade de peças criadas acabam por não justificar o investimento em máquinas que executem operações específicas.
“Só temos uma solução: apostar nas pessoas. Confesso que é uma solução que me agrada”. Para Filipe, “uma equipa mais do que consolidada” representa ainda um sossego para os clientes, que se “sentem confortáveis” em deixar a empresa a executar os seus desenvolvimentos.
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“O caminho até à produção pode ser muito longo. Há clientes que trazem uma ideia mais definida do que outros e nós temos de ter a capacidade para responder a situações diferentes. Isso exige muito trabalho que não é visível”. Esse trabalho passa por estudar diariamente o mercado e apresentar novas ideias, sempre com o intuito de que cada dia seja melhor do que o anterior.“Apesar de estarmos no extremo, no relacionamento com a Europa nada é longe”, reforça, dizendo que é um orgulho saber que as peças fabricadas pela LaGofra estão espalhadas por lojas “interessantíssimas”.
“Preocupa-me que esta empresa seja muito boa e empenho-me para que daqui a um ano seja muito melhor”, diz o responsável. A par do acompanhamento permanente ao cliente desde as primeiras fases do desenvolvimento das coleções, Filipe destaca ainda como fatores essenciais ao sucesso a rapidez na execução - quer das amostras, que das encomendas – e a localização estratégica de Portugal.

DAS PEQUENAS FÁBRICAS AOS GRANDES ATELIÊS

Com o negócio a crescer, Filipe olha para o futuro com otimismo e, na sua opinião;o, a indústria têxtil deve continuar no caminho da prosperidade para que o carimbo português seja reconhecido lá fora. Ainda assim, o empresário lamenta que cada vez mais seja difícil encontrar pessoas qualificadas para trabalhar na área, sobretudo porque o setor secundário foi ficando para trás.


“Com o esforço de todos, temos de trabalhar para conseguirmos criar grandes ateliês e não pequenas fábricas”, avança, destacando que é fundamental garantir que estes ateliês contem com “costureiras de topo, com remunerações a condizer e apoiadas por um forte back office”.
A seu ver, o futuro passará pelas pequenas encomendas de muita complexidade e pela variedade de modelos, pelo que a polivalência e flexibilidade são fundamentais. “Temos de acrescentar valor”, realça. Apostada em valorizar os seus recursos humanos, a LaGofra tem promovido a participação em formações e está empenhada em passar de uma pequena fábrica a um ateliê gigante. “O mais importante para mim é ter consciência de que a empresa está a evoluir e poder contribuir para o bem-estar dos tabalhadores. Espero que sintam orgulho no trabalho que desenvolvem”, afirma Filipe.

PRESENÇA NO MERCADO NACIONAL

“Não exportamos 100%”, confessa o empresário, explicando que o motivo pelo qual não o fazem é até caricato. “Há cerca de um ano e meio, produzimos toda a coleção de uma estilista alemã. O nosso trabalho agradou-lhe e ela decidiu mudar-se para Portugal”.
A morar em Berlim, a criadora percebeu que o seu mercado alvo não era o alemão e, então, entre estar na sua terra natal ou em Portugal, a diferença passava apenas por aspetos como a proximidade à produção, o clima ou a gastronomia. Tendo em conta estes fatores, decidiu mudar-se. Para o responsável, “este é um tipo imigração extraordinariamente interessante”, que vê no nosso país, sobretudo em cidades como o Porto, “uma oportunidade válida”.
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